Posted by : Jolly E. Jun 3, 2026

 



— Ah, aliás, desculpa se o Emerald foi meio grosso com você... Ele não costumava ser assim... — Tepig suspirou.


Hmph! Você passa muito pano pra ele, Bertha! — contestou Oshawott antes de enfiar um punhado de comida na boca. — Você também passou por muita coisa, e mesmo assim não é grossa igual a ele!


— “Não costumava ser assim”, você diz? O que o mudou? — Nia indagou.

 

Os dois iniciais se entreolharam por uns instantes com os olhos um pouco arregalados, surpresos que ela perguntaria tão casualmente. Azure virou a cabeça pra todos os lados pra garantir que o Snivy não estava por perto, se aproximou da Elgyem e sussurrou:


— Desde que a mãe dele se machucou...


— Bom, na verdade, é um pouco mais complicado que isso... Mas acho que não é uma história que você devia ouvir da gen-


Ah, q-quem liga?! — Azure bufou, mas ainda prestava atenção nos arredores. — A coitada vai ter que conviver com esse mala vinte e quatro horas por dia, ela tem que saber!


 — É, você tem um ponto...

 

Oshawott, Tepig e Elgyem se aproximaram mais ainda, formando um círculozinho da fofoca no chão do Centro Pokémon.

 

— Então — disse o inicial de água numa voz solene. — Você conhece a Blueberry Academy?


Blueberry é uma fruta — afirmou Nia. — Mas... O que seria uma Academy?


— É um lugar aonde humanos vão pra aprender. E nós nascemos na Blueberry Academy, que é uma escola de batalhas — explicou Bertha em meio a uma mordida ou outra do seu café da manhã.


— É! É uma escola no fundo do oceano! Você precisa ver a vista, é a coisa mais linda...

 

Azure suspirou e fechou os olhos por alguns instantes.

 

— Dias mais simples... Mas enfim! A gente nasceu numa área chamada Terarium, que... Hã... Como que eu explico isso? — ele se virou pra Bertha.


— Imagine um grande círculo — a Tepig fez um círculo no chão com uma das patas da frente. — Agora imagine esse círculo dividido em quatro áreas diferentes, e cada área é diferente das outras e é chamado de bioma.


— Isso, valeu! Eu nasci no Bioma Polar! Você já viu neve antes? Gelo?


— Sim, na Rota 15, alguns meses atrás. Foi minha primeira vez vendo o inverno... Ver a neve nos penhascos foi muito interessante.


— Primeira vez vendo o inverno? — Bertha mexeu uma das suas orelhas. — Você... Morava em alguma região sem neve?


— Eu nunca havia saído da minha casa, então seria impossível ver o inverno assim de perto.

 

Os iniciais mais uma vez se entreolharam enquanto Nia comia um pedaço da sua comida como se não tivesse dito nada demais.

 

— Hum... Tinha... Tinha algum humano te prendendo, ou algo assim? — Perguntou o Oshawott.


— Azure! É falta de educação perguntar essas coisas!


— Não — Nia balançou a sua grande cabeça de forma negativa. — Não havia humano nenhum na minha casa. O primeiro humano que eu vi na vida foi a Sra. Marie, que trabalha com o Professor Park.

 

Azure e Bertha ficaram em silêncio, piscando pra alien que continuou comendo tranquilamente.

 

— Você nasceu no Bioma Polar, e...?


— Ah, sim, é... — Azure sacudiu a cabeça de leve, piscando. — A Bertha nasceu no Canyon Biome, e o Emerald no Savanna Biome. Nós somos a primeira geração de Pokémon iniciais nascidos no Terarium, na verdade!

 

A sua cauda começou a balançar bem rápido, e seus olhinhos brilhavam.

 

— E nossas mães são da equipe do chefão da Blueberry Academy!


— A mãe do Emerald é o Pokémon mais forte do diretor Cyrano, na verdade — acrescentou Bertha.


— É, a dona Jade é bem forte... — Azure admitiu, ficando mais sério. — Eu e meus irmãos fomos assistir uma batalha dela escondidos uma vez. Ela não erra golpe nenhum, é assustador! Mas ela botou a gente pra correr quando percebeu que a gente tava ali...


— Até ano passado, o Terarium era aberto pra qualquer estudante da Blueberry Academy, e pra visitantes também — Bertha continuou. — Era normal outras escolas virem fazer excursões por lá... Nós víamos vários humanos todos os dias. Mas nem todos os Pokémon que moram no Terarium são capturáveis pra todos os alunos. Qualquer Pokémon inicial só pode ser dado pra estudantes de alto nível por algum professor ou pelo diretor.


— É... E alguns alunos de nível mais baixo não gostavam disso... E aí... — Azure começou a mexer na sua concha, olhando pra Tepig com o canto do olho.


— Um grupo grande formou um plano pra pegar iniciais à força. Um Tepig, um Oshawott e um Snivy, pra ser mais exata. O plano era invadir nossos ninhos de madrugada, capturar um de cada e fugir.

 

A porquinha suspirou antes de continuar. Azure voltou a comer, encarando o chão, mas Nia não desviou os olhos dela.

 

— O ninho da família do Azure não chegou a ser atacado... O grupo que ia capturar os Oshawotts caiu na água gelada e foram atacados por uma horda de Seadra, e os seguranças dessa área do Terarium os pegaram antes que pudessem fazer mal a alguém. Mas a minha família e a de Emerald... Não tivemos a mesma sorte.


— É por isso que você não tem uma cauda? — Perguntou Nia. — Se não se importar em responder.


— Sim... Eu fui a sorteada que eles tentaram pegar à força. Minha mãe e meus irmãos foram me proteger, e no meio da confusão... O Steel Wing do Skarmory de um dos alunos me pegou. Um corte quase que perfeito, bem na cauda.


— Sinto muito... — A Elgyem baixou a cabeça.


— Não, não, eu me considero muito sortuda! — Bertha apressou-se a responder. — Se tivesse sido em qualquer outra parte do corpo... Não teria sobrado nada de mim pra contar a história. E ninguém ficou muito ferido... Mas, o pessoal que foi até o ninho da família do Emerald...


— Eles sabiam que dona Jade era a mais forte, então eles escolheram os treinadores mais poderosos do grupinho deles pra ir atrás de um Snivy... — Azure continuou pra que Bertha pudesse dar uma pausa pra comer. — Acabou que eles não conseguiram pegar nenhum, ela derrotou todos eles pra proteger os filhos, mas... Eles tinham Pokémon venenosos, e... 

 

O Oshawott estremeceu com a lembrança, fechando os olhos com força por alguns instantes.

 

— As folhas no corpo dela, elas... Elas derreteram. Queimou tudo, até hoje ela tem as marcas no pescoço... Eu ouvi um aluno comentando que os médicos humanos disseram que... Se ela tivesse chegado no hospital uns cinco minutos mais tarde... Ela tinha morrido com certeza... E mesmo assim, ela ter se recuperado tão bem a ponto de voltar a batalhar como sempre uns meses depois foi um milagre, mesmo depois dela ter sobrevivido, o diretor Cyrano achou que ela ia ter que se aposentar pra sempre...


— E o que aconteceu com os alunos que fizeram isso?


— Expulsos — disse Bertha, tendo acabado de comer. — E tiveram seus Pokémon tomados também.

 

Nia olhou pra Emerald, que ainda estava comendo perto da janela, logo embaixo da luz do sol que passava pelo vidro.

 

— E ele nunca superou tudo isso? — ela assumiu.


— Não... E olha que ele melhorou muito, viu? — Azure revirou os olhos. — Se ele ainda tivesse do jeito que tava logo depois que isso tudo aconteceu, a professora Juniper nem tinha escolhido ele pra ser o inicial de alguém.


— Como eu disse, ele não costumava ser assim... Ele sempre foi teimoso...


— E fresco. — resmungou o Oshawott.


— ...Mas ele não é um Pokémon ruim. Ele só... Quer ser o mais forte.

 

A alien se virou pra olhar pro Pokémon do tipo grama. Ele havia acabado de comer e estava empurrando de leve o pote de comida pra longe, se espreguiçando sob a luz do sol. Não parecia que os humanos iam parar de conversar por enquanto, então ela rapidamente terminou de comer também e flutuou até Emerald, que estava deitando de forma preguiçosa.

 

— Se divertiu falando de mim com aqueles dois? — Ele não perdeu tempo.


— Não diria que foi uma história divertida... Mas fiquei feliz que sua mãe ficou bem no final.

 

Ele ergueu a cabeça um pouco, não conseguindo lutar contra um sorrisinho.

 

— Que bom que fofocar da vida alheia lhe trouxe felicidade.


— Se nós vamos viajar juntos, faz sentido conhecer um ao outro, não é?

 

O Snivy ficou em silêncio por alguns minutos, encarando Nia com seus olhos cerrados, e, por fim, suspirou alto.

 

— Você não se ofende fácil, não é? Você é assim o tempo todo, ou só não percebeu que eu estou tentando lhe provocar?


— Claro que percebi — ela fez que sim com sua enorme cabeça.


— Percebe, mas não se importa?


— Não acho que você faça por mal, então ao ver, não tem pra quê eu ficar ofendida.

 

Mais momentos de silêncio, mas dessa vez, ele riu.


— Sabe de uma coisa, até que gostei de você. Mas. Se precisamos nos conhecer como companheiros de viagem... Fale de onde você veio — ele balançava a cauda devagar de um lado pro outro. — Confesso que estou um tanto quanto curioso, já que nunca vi ninguém como você. E olha que já vi muita coisa no Terarium.

 

— Hmmmmm...

 

Nia ponderou por longos segundos, pressionando as luzes em suas mãos enquanto pensava.

 

— Eu ouvi que você morava numa casa sem humanos. Comece deste ponto — sugeriu o Snivy.


— Sim... Era uma mansão muito antiga. Eu, e vários, vários Pokémon. Dentro dos quartos, no jardim...


— E onde seria isso?


— Bem, essa é a parte estranha... Eu não sei.

 

Emerald ergueu a cabeça, se sentando com a testa franzida.

 

— Você não sabe onde era a sua casa?


— Não. O céu era sempre roxo... E um abismo ao redor de cada canto da mansão — ela piscou as suas luzinhas num padrão aleatório. — Um dia, esse abismo só desapareceu. E quando atravessei, estava numa floresta. Foi minha primeira vez vendo o céu azul de verdade... Eu viajei, viajei, viajei... Até encontrar o Poké Transfer Lab. E aqui estou.

 

A serpente não mudou sua expressão, digerindo o que tinha acabado de ouvir.

 

— Imagino que você tenha várias perguntas.


Ah vá, não me diga! Isso... Isso não faz sentido algum! Que história é essa de abismo e céu roxo?!


— Eu não sei. Ninguém na mansão sabe de nada. Só sabíamos que quem tentava passar pelo abismo, não voltava mais... Mas nunca tínhamos o visto desaparecer. Alguns outros Pokémon tentaram atravessar além de mim... Mas não os vi naquela floresta...


— Você não tem família? Ou amigos?


— Família... — ela ponderou. — Não. Os Pokémon da mansão ficavam cada um com seu grupo... E os Elgyem são solitários. E desconhecidos. Ninguém quer ficar perto de um Pokémon desconhecido. Eu até tinha meu pai, mas... Ele era muito velho. Não durou muito depois que eu nasci.


— Ah...

 

Emerald ficou em silêncio por vários instantes, batendo de leve a cauda na mesa enquanto lutava com sentimentos conflitantes. Pensou em como seria não ter sua mãe. Ou seus irmãos. Claro, eles estavam longe agora, mas... Pelo menos ele os tinha.

 

— Bom... Ainda bem que você foi capturada, então. Companhia não lhe faltará — Disse ele, por fim.


— Está insinuando que podemos ser amigos? — ela piscou com expectativa.


— Por mim, pode ser — ele deu de ombros. — E, além do mais, por mais que eu tenha uma força estrondosa... Seria impossível me tornar campeão sozinho. Então creio que devo me acostumar com colegas de equipe.


— É isso que você deseja? Ser campeão?


— Com certeza. E você? Por que decidiu proteger o garoto?

 

A Elgyem olhou pra mesa onde os humanos comiam, conversando animadamente entre si... E voltou a olhar pro companheiro de viagem.

 

— “Proteja eles dois como puder, tá? Eles são muito importantes pra mim!” — parafraseou o Pokémon psíquico. — Foi isso que o Professor Park me disse.


— Hm... Não sei se esses moleques valem a pena todo esse esforço, mas devo admitir que é um objetivo nobre. Pois bem.

 

A serpente de planta levantou as duas vinhas que se escondiam por trás das folhas amarelas no seu pescoço, e sacudiu a mão da Elgyem, assim como havia feito com Hilda algumas horas atrás. Por sorte, Nia reconheceu o gesto, já tendo visto humanos o fazendo. Era um cumprimento de companheirismo.

 

— Acho que podemos fazer uma parceria.

 

Nia fez que sim com a cabeça.

 

— Que seja uma boa parceria.

                     



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  1. Primeirinho!

    Helloo Jolly~♪ Tá tudo bom?

    Um capítulo curtinho e gostosinho de se ler para conhecer Emerald, Nia & cia.
    Muito bom saber que eles vieram da Blueberry Academy e que são filhos da Pokémon do diretor Cyrano, achei bem curioso e bem ardiloso de sua parte.
    O passado deles sendo abordado foi algo interessante, mas o que me intrigou foi o da Nia. De onde você veio, minha pequenina extraterrestre alienígena buscadora de comer cimento? De onde o Papa Hilbert te tirou hein? Tô curiosíssimo.
    Quero mais Jolly!!! Alimente-me!!!

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  2. Pobre porquinha levando com um corte na cauda. Imagino que ela deve ter muita falta de equilíbrio. Mas ainda bem que esses malditos alunos foram punidos. Adolescente é mesmo um bicho estranho.

    Muito boa essa dinâmica entre os Pokémon! Deu para conhecer melhor cada um deles!

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