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- Roundtable 1 - Diamante Bruto
— Ah, aliás,
desculpa se o Emerald foi meio grosso com você... Ele não costumava ser
assim... — Tepig suspirou.
— Hmph! Você passa muito pano pra ele,
Bertha! — contestou Oshawott antes de enfiar um punhado de comida na boca. —
Você também passou por muita coisa, e mesmo assim não é grossa igual a ele!
— “Não costumava
ser assim”, você diz? O que o mudou? — Nia indagou.
Os dois iniciais
se entreolharam por uns instantes com os olhos um pouco arregalados, surpresos
que ela perguntaria tão casualmente. Azure virou a cabeça pra todos os lados
pra garantir que o Snivy não estava por perto, se aproximou da Elgyem e
sussurrou:
— Desde que a
mãe dele se machucou...
— Bom, na
verdade, é um pouco mais complicado que isso... Mas acho que não é uma história
que você devia ouvir da gen-
— Ah, q-quem
liga?! — Azure bufou, mas ainda prestava atenção nos arredores. — A coitada vai
ter que conviver com esse mala vinte e quatro horas por dia, ela tem que saber!
— É, você tem um ponto...
Oshawott, Tepig
e Elgyem se aproximaram mais ainda, formando um círculozinho da fofoca no chão
do Centro Pokémon.
— Então — disse
o inicial de água numa voz solene. — Você conhece a Blueberry Academy?
— Blueberry é uma fruta — afirmou Nia. —
Mas... O que seria uma Academy?
— É um lugar
aonde humanos vão pra aprender. E nós nascemos na Blueberry Academy, que é uma
escola de batalhas — explicou Bertha em meio a uma mordida ou outra do seu café
da manhã.
— É! É uma
escola no fundo do oceano! Você precisa ver a vista, é a coisa mais linda...
Azure suspirou e
fechou os olhos por alguns instantes.
— Dias mais
simples... Mas enfim! A gente nasceu numa área chamada Terarium, que... Hã... Como que eu explico isso? — ele se virou pra
Bertha.
— Imagine um
grande círculo — a Tepig fez um círculo no chão com uma das patas da frente. —
Agora imagine esse círculo dividido em quatro áreas diferentes, e cada área é
diferente das outras e é chamado de bioma.
— Isso, valeu!
Eu nasci no Bioma Polar! Você já viu neve antes? Gelo?
— Sim, na Rota
15, alguns meses atrás. Foi minha primeira vez vendo o inverno... Ver a neve
nos penhascos foi muito interessante.
— Primeira vez
vendo o inverno? — Bertha mexeu uma das suas orelhas. — Você... Morava em alguma
região sem neve?
— Eu nunca havia
saído da minha casa, então seria impossível ver o inverno assim de perto.
Os iniciais mais
uma vez se entreolharam enquanto Nia comia um pedaço da sua comida como se não
tivesse dito nada demais.
— Hum...
Tinha... Tinha algum humano te prendendo, ou algo assim? — Perguntou o
Oshawott.
— Azure! É falta
de educação perguntar essas coisas!
— Não — Nia balançou
a sua grande cabeça de forma negativa. — Não havia humano nenhum na minha casa.
O primeiro humano que eu vi na vida foi a Sra. Marie, que trabalha com o
Professor Park.
Azure e Bertha
ficaram em silêncio, piscando pra alien que continuou comendo tranquilamente.
— Você nasceu no
Bioma Polar, e...?
— Ah, sim, é...
— Azure sacudiu a cabeça de leve, piscando. — A Bertha nasceu no Canyon Biome, e o Emerald no Savanna Biome. Nós somos a primeira
geração de Pokémon iniciais nascidos no Terarium, na verdade!
A sua cauda
começou a balançar bem rápido, e seus olhinhos brilhavam.
— E nossas mães
são da equipe do chefão da Blueberry Academy!
— A mãe do
Emerald é o Pokémon mais forte do diretor Cyrano, na verdade — acrescentou
Bertha.
— É, a dona Jade
é bem forte... — Azure admitiu, ficando mais sério. — Eu e meus irmãos fomos
assistir uma batalha dela escondidos uma vez. Ela não erra golpe nenhum, é
assustador! Mas ela botou a gente pra correr quando percebeu que a gente tava
ali...
— Até ano
passado, o Terarium era aberto pra qualquer estudante da Blueberry Academy, e
pra visitantes também — Bertha continuou. — Era normal outras escolas virem
fazer excursões por lá... Nós víamos vários humanos todos os dias. Mas nem
todos os Pokémon que moram no Terarium são capturáveis pra todos os alunos.
Qualquer Pokémon inicial só pode ser dado pra estudantes de alto nível por
algum professor ou pelo diretor.
— É... E alguns
alunos de nível mais baixo não gostavam disso... E aí... — Azure começou a
mexer na sua concha, olhando pra Tepig com o canto do olho.
— Um grupo
grande formou um plano pra pegar iniciais à força. Um Tepig, um Oshawott e um
Snivy, pra ser mais exata. O plano era invadir nossos ninhos de madrugada,
capturar um de cada e fugir.
A porquinha
suspirou antes de continuar. Azure voltou a comer, encarando o chão, mas Nia
não desviou os olhos dela.
— O ninho da
família do Azure não chegou a ser atacado... O grupo que ia capturar os
Oshawotts caiu na água gelada e foram atacados por uma horda de Seadra, e os
seguranças dessa área do Terarium os pegaram antes que pudessem fazer mal a
alguém. Mas a minha família e a de Emerald... Não tivemos a mesma sorte.
— É por isso que
você não tem uma cauda? — Perguntou Nia. — Se não se importar em responder.
— Sim... Eu fui
a sorteada que eles tentaram pegar à força. Minha mãe e meus irmãos foram me
proteger, e no meio da confusão... O Steel
Wing do Skarmory de um dos alunos me pegou. Um corte quase que perfeito,
bem na cauda.
— Sinto muito...
— A Elgyem baixou a cabeça.
— Não, não, eu
me considero muito sortuda! — Bertha apressou-se a responder. — Se tivesse sido
em qualquer outra parte do corpo... Não teria sobrado nada de mim pra contar a
história. E ninguém ficou muito ferido... Mas, o pessoal que foi até o ninho da
família do Emerald...
— Eles sabiam
que dona Jade era a mais forte, então eles escolheram os treinadores mais
poderosos do grupinho deles pra ir atrás de um Snivy... — Azure continuou pra
que Bertha pudesse dar uma pausa pra comer. — Acabou que eles não conseguiram
pegar nenhum, ela derrotou todos eles pra proteger os filhos, mas... Eles
tinham Pokémon venenosos, e...
O Oshawott
estremeceu com a lembrança, fechando os olhos com força por alguns instantes.
— As folhas no
corpo dela, elas... Elas derreteram. Queimou tudo, até hoje ela tem as marcas
no pescoço... Eu ouvi um aluno comentando que os médicos humanos disseram
que... Se ela tivesse chegado no hospital uns cinco minutos mais tarde... Ela
tinha morrido com certeza... E mesmo assim, ela ter se recuperado tão bem a
ponto de voltar a batalhar como sempre uns meses depois foi um milagre, mesmo
depois dela ter sobrevivido, o diretor Cyrano achou que ela ia ter que se
aposentar pra sempre...
— E o que
aconteceu com os alunos que fizeram isso?
— Expulsos — disse
Bertha, tendo acabado de comer. — E tiveram seus Pokémon tomados também.
Nia olhou pra
Emerald, que ainda estava comendo perto da janela, logo embaixo da luz do sol
que passava pelo vidro.
— E ele nunca
superou tudo isso? — ela assumiu.
— Não... E olha
que ele melhorou muito, viu? — Azure revirou os olhos. — Se ele ainda tivesse
do jeito que tava logo depois que isso tudo aconteceu, a professora Juniper nem
tinha escolhido ele pra ser o inicial de alguém.
— Como eu disse,
ele não costumava ser assim... Ele sempre foi teimoso...
— E fresco. — resmungou
o Oshawott.
— ...Mas ele não
é um Pokémon ruim. Ele só... Quer ser o mais forte.
A alien se virou
pra olhar pro Pokémon do tipo grama. Ele havia acabado de comer e estava
empurrando de leve o pote de comida pra longe, se espreguiçando sob a luz do
sol. Não parecia que os humanos iam parar de conversar por enquanto, então ela
rapidamente terminou de comer também e flutuou até Emerald, que estava deitando
de forma preguiçosa.
— Se divertiu
falando de mim com aqueles dois? — Ele não perdeu tempo.
— Não diria que
foi uma história divertida... Mas fiquei feliz que sua mãe ficou bem no final.
Ele ergueu a
cabeça um pouco, não conseguindo lutar contra um sorrisinho.
— Que bom que
fofocar da vida alheia lhe trouxe felicidade.
— Se nós vamos
viajar juntos, faz sentido conhecer um ao outro, não é?
O Snivy ficou em
silêncio por alguns minutos, encarando Nia com seus olhos cerrados, e, por fim,
suspirou alto.
— Você não se
ofende fácil, não é? Você é assim o tempo todo, ou só não percebeu que eu estou
tentando lhe provocar?
— Claro que
percebi — ela fez que sim com sua enorme cabeça.
— Percebe, mas
não se importa?
— Não acho que
você faça por mal, então ao ver, não tem pra quê eu ficar ofendida.
Mais momentos de
silêncio, mas dessa vez, ele riu.
— Sabe de uma
coisa, até que gostei de você. Mas. Se precisamos nos conhecer como
companheiros de viagem... Fale de onde você veio — ele balançava a cauda
devagar de um lado pro outro. — Confesso que estou um tanto quanto curioso, já
que nunca vi ninguém como você. E olha que já vi muita coisa no Terarium.
— Hmmmmm...
Nia ponderou por
longos segundos, pressionando as luzes em suas mãos enquanto pensava.
— Eu ouvi que
você morava numa casa sem humanos. Comece deste ponto — sugeriu o Snivy.
— Sim... Era uma
mansão muito antiga. Eu, e vários, vários Pokémon. Dentro dos quartos, no
jardim...
— E onde seria
isso?
— Bem, essa é a
parte estranha... Eu não sei.
Emerald ergueu a
cabeça, se sentando com a testa franzida.
— Você não sabe
onde era a sua casa?
— Não. O céu era
sempre roxo... E um abismo ao redor de cada canto da mansão — ela piscou as
suas luzinhas num padrão aleatório. — Um dia, esse abismo só desapareceu. E
quando atravessei, estava numa floresta. Foi minha primeira vez vendo o céu
azul de verdade... Eu viajei, viajei, viajei... Até encontrar o Poké Transfer Lab. E aqui estou.
A serpente não
mudou sua expressão, digerindo o que tinha acabado de ouvir.
— Imagino que
você tenha várias perguntas.
— Ah vá, não me
diga! Isso... Isso não faz sentido algum! Que história é essa de abismo e céu
roxo?!
— Eu não sei.
Ninguém na mansão sabe de nada. Só sabíamos que quem tentava passar pelo
abismo, não voltava mais... Mas nunca tínhamos o visto desaparecer. Alguns
outros Pokémon tentaram atravessar além de mim... Mas não os vi naquela
floresta...
— Você não tem
família? Ou amigos?
— Família... — ela
ponderou. — Não. Os Pokémon da mansão ficavam cada um com seu grupo... E os Elgyem
são solitários. E desconhecidos. Ninguém quer ficar perto de um Pokémon
desconhecido. Eu até tinha meu pai, mas... Ele era muito velho. Não durou muito
depois que eu nasci.
— Ah...
Emerald ficou em
silêncio por vários instantes, batendo de leve a cauda na mesa enquanto lutava
com sentimentos conflitantes. Pensou em como seria não ter sua mãe. Ou seus
irmãos. Claro, eles estavam longe agora, mas... Pelo menos ele os tinha.
— Bom... Ainda
bem que você foi capturada, então. Companhia não lhe faltará — Disse ele, por
fim.
— Está
insinuando que podemos ser amigos? — ela piscou com expectativa.
— Por mim, pode
ser — ele deu de ombros. — E, além do mais, por mais que eu tenha uma força
estrondosa... Seria impossível me tornar campeão sozinho. Então creio que devo
me acostumar com colegas de equipe.
— É isso que
você deseja? Ser campeão?
— Com certeza. E
você? Por que decidiu proteger o garoto?
A Elgyem olhou
pra mesa onde os humanos comiam, conversando animadamente entre si... E voltou
a olhar pro companheiro de viagem.
— “Proteja eles dois como puder, tá? Eles são
muito importantes pra mim!” — parafraseou o Pokémon psíquico. — Foi isso
que o Professor Park me disse.
— Hm... Não sei
se esses moleques valem a pena todo esse esforço, mas devo admitir que é um
objetivo nobre. Pois bem.
A serpente de
planta levantou as duas vinhas que se escondiam por trás das folhas amarelas no
seu pescoço, e sacudiu a mão da Elgyem, assim como havia feito com Hilda
algumas horas atrás. Por sorte, Nia reconheceu o gesto, já tendo visto humanos
o fazendo. Era um cumprimento de companheirismo.
— Acho que
podemos fazer uma parceria.
Nia fez que sim
com a cabeça.
— Que seja uma boa parceria.




















Primeirinho!
ReplyDeleteHelloo Jolly~♪ Tá tudo bom?
Um capítulo curtinho e gostosinho de se ler para conhecer Emerald, Nia & cia.
Muito bom saber que eles vieram da Blueberry Academy e que são filhos da Pokémon do diretor Cyrano, achei bem curioso e bem ardiloso de sua parte.
O passado deles sendo abordado foi algo interessante, mas o que me intrigou foi o da Nia. De onde você veio, minha pequenina extraterrestre alienígena buscadora de comer cimento? De onde o Papa Hilbert te tirou hein? Tô curiosíssimo.
Quero mais Jolly!!! Alimente-me!!!
Pobre porquinha levando com um corte na cauda. Imagino que ela deve ter muita falta de equilíbrio. Mas ainda bem que esses malditos alunos foram punidos. Adolescente é mesmo um bicho estranho.
ReplyDeleteMuito boa essa dinâmica entre os Pokémon! Deu para conhecer melhor cada um deles!