Scarlet's Tales - Parte 1: Wiki
Encontrar Pokémon Sinnohanos que competem entre si. Perguntar como eles se sentiam em relação a batalhas. Recolher o máximo de respostas possível. Voltar pra Sunyshore no fim do mês pra encontrar o resto da sua equipe. Voltar pra Unova. Essa era a missão de Scarlet.
Mal
sabia o Zoroark quão ingrato seria esse trabalhinho... Nos primeiros dias, ele achou
que seria Iapapa com açúcar! Conversando com um Pokémon selvagem ou outro usando
seu disfarce de Luxray, ele rapidamente conseguiu descobrir o conceito de
“guildas”, e que elas são muito populares em Sinnoh. Ter um monte de Pokémon
reunidos em um só lugar? Que conveniente! Deixaria tudo mais rápido, não é?
Talvez ele até conseguisse respostas o bastante pra poder voltar pra Sunyshore
antes do tempo combinado e se divertir um pouco na cidade.
Não
demorou muito pra Scarlet aprender o quão territoriais essas tais guildas eram.
Ele
tentava ser educado, batendo no
portão das bases ao invés de tentar entrar de fininho; mas e quem disse que
eles queriam saber?! Alguns foram mais piedosos e só o mandaram embora sem
fazer muito alarde. Já outros ficavam mais
agressivos quando descobriam que se tratava de um jornalista! Já havia levado
tiros, socos, espadadas, machadadas, marretadas e facadas. Já fora queimado,
eletrocutado, congelado, envenenado... A sorte é que Sinnoh tem berries com
propriedades curativas para todos os lados. Não que isso saciasse a sua fome,
que agora parecia mais um buraco negro...
Ele
não tinha expectativa alguma de que o comportamento nessa base enorme e famosa
que estava a sua frente seria diferente. Sim, famosa, pois os Fire Tales eram quase sempre o primeiro exemplo que
todos citavam quando Scarlet perguntava sobre guildas populares, descritos como
malucos, porém tão fortes quanto eram carismáticos... Além de mais pacíficos
que a maioria. Mesmo assim, depois de todos os mais diversos traumas físicos e
psicológicos que ele havia passado, ele não iria abaixar a guarda de jeito
nenhum! Ele queria era desistir, isso sim, mas... O Zoroark desesperadamente precisava
de entrevistas decentes. Até agora, só uma
guilda havia aceitado responder suas perguntas. Isso não era nem de longe o
suficiente pra evitar o sermão que Silas lhe daria se ele chegasse em Sunyshore
de mãos abanando!
Então,
aqui estava ele, nesse lindo fim de tarde de outono, escondido no meio de
arbustos, encarando uma das entradas da base dos Fire Tales como se ela
estivesse prestes a se transformar numa bocarra cheia de caninos para lhe
devorar.
—
Argh, o que é que eu faço?! — Scarlet resmungou pra si mesmo. — Eu não aguento
mais apanhar... Mas não posso sair desse inferno de região só com uma entrevista!
Ele
planejava passar os próximos minutos se afundando em indecisão... Mas seu
sangue gelou quando ouviu passos a alguns metros atrás de si. Merda, ele se descuidou demais! Scarlet
fechou os olhos, e se imaginou — na sua forma falsa de Luxray — correndo pro
sul, criando uma ilusão. Isso devia bastar pra confundir seu adversário. Dito e
feito, ele ouviu seja-lá-quem-fosse correndo na direção do “Luxray” falso. Com
um sorrisinho satisfeito, ele saiu em disparada ao norte, já pensando em
procurar outra entrada pra essa base...
Mas
por pouco ele nunca mais pensaria em nada, pois sentiu um estilhaço de gelo
passar tão perto da sua têmpora que seus ouvidos estalaram. Viu fios de seu cabelo
caindo no chão. Só o susto foi o suficiente pra destruir sua ilusão, e ele
voltou a ser uma raposa preta e vermelha. Ele parou no meio da estrada de
terra, na frente do portão dos Fire Tales, seus pés erguendo poeira. Não era
muito bom em batalha, mas sabia o suficiente pra compreender que sua ilusão
havia falhado, e se esse atirador conseguiu dar esse tiro de aviso tanta
precisão, se ele quisesse, o Zoroark já teria caído morto no chão.
Scarlet
só teve tempo de se virar antes de um braço musculoso agarrar a gola da sua
roupa e lhe levantar no ar. Seu agressor da vez era um Kingdra — pelo menos
assim Scarlet supôs — de cabelos e olhos azuis, que podia até ser bonito se ele
não estivesse prestes a lhe dar um tiro nos miolos. Ele franziu a testa por um
momento.
—
Achei que você fosse outra pessoa... — seu rosto voltou a relaxar. — Enfim, vou
te dar três segundos pra tentar dar alguma desculpa antes de eu te estourar.
Era
difícil falar agora que ele havia colocado a sua outra mão ao redor do seu
pescoço. Talvez o Kingdra soubesse disso e só fosse um sádico maldito mesmo.
Mas essa não foi a primeira vez que Scarlet falou suas intenções o mais rápido
possível antes de ser morto... Não que tivesse impedido sua voz de sair
desesperada:
—
J-Jornalista! S-Só quero... Fazer umas
perguntas!
—
Essa aí é nova. — A expressão dele não mudou. — Se é só isso, tava se
escondendo por quê?
—
Porque não é a primeira vez que tentam me
matar...!
—
É, faz sentido. E não vai ser a última.
Se
Scarlet não estivesse com tanto medo — e não estivesse mais fraco do que de
costume —, ele iria tentar morder o braço desse maluco, que olhava pra ele como
se ele fosse uma mera folha no chão, prestes a ser pisada. E ele teria sido, se
não fosse salvo pelo gongo na forma de uma voz feminina ressoando pela
floresta:
—
Mikau!
O
Kingdra — que agora se sabia que se chamava Mikau — revirou os olhos e,
resmungando, largou Scarlet no chão sem muita cerimônia. O Zoroark caiu de
bunda na terra com um baque seco, lutando pra recuperar o fôlego e tentando
ficar longe do psicopata.
A
sua salvadora era uma ruiva de cabelos beeeem longos, alta, com corpo de modelo
e um vestido extravagante demais pra se estar andando no meio do mato. Mas,
mesmo sendo de uma região distante, até ele saberia reconhecer uma Milotic. E
extravagância era o nome do meio delas.
Pouco
lhe importava, na real; ele só engatinhou o mais rápido possível pra trás da
desconhecida, usando-a de escudo enquanto ela colocava as mãos na cintura,
olhando pro Kingdra como se ele fosse uma criança que estava tentando pegar um
biscoito antes do jantar ao invés de um quase-assassino.
—
O que a gente conversou sobre atirar primeiro e fazer perguntas depois?
—
Que atirar é bem mais fácil? E eu fiz perguntas primeiro. Pode perguntar a ele
se não acredita em mim. — Mikau deu de ombros.
—
E o que você ia fazer depois que ele respondesse?
—
Atirar. Além do mais, eu achei que ele era o paspalho daquele Luxray.
—
Mesmo se ele fosse o Alexay, você não
devia atirar nele!
—
Ah, é? — Ele não era bom em fingir inocência.
Ela
botou a mão no rosto e suspirou... E depois sorriu pra Scarlet como se nada tivesse
acontecido, lhe oferecendo a mão pra levantá-lo do chão.
—
Olá, prazer! Meu nome é Milena! Desculpa por isso, tá? O Mih é esquentadinho
assim mesmo! Qual seu nome?
—
Scarlet... E-e-esquentadinho é pouco, moça! — O tipo Sombrio reclamou enquanto
segurava a mão dela. — Ele tentou me
matar!
—
Não se preocupa, assim que eu vi ele saindo do posto, sabia que ele ia aprontar
uma! Não ia deixar nada acontecer com um visitante inocente!
—
Lá vai você sendo a defensora dos fracos e oprimidos de novo... Você não sabe
se ele é inocente. — Mikau cruzou os braços, chegando perto demais pro gosto de
Scarlet. — Veio com uma desculpinha que é jornalista.
—
M-Mas eu posso provar!
Ele
tirou um caderno dos bolsos fundos costurados no seu shosei-fuku, um dos seus quimonos favoritos. Talvez não devesse
tê-lo usado numa missão suicida dessas, mas se fosse morto, ao menos seria com
estilo. Milena pegou com cuidado o caderno com capa de couro e arregalou os
olhos de leve a ler a entrevista que ele havia feito com a guilda Red Fortress
alguns dias antes.
—
Eu acho que ele está falando a verdade. Olha aqui a assinatura da Primia e do
Drinian no fim da página!
Mikau
ergueu a sobrancelha e passou alguns segundos olhando feio pra Scarlet antes de
finalmente ceder.
—
Que seja. Leva ele pro Aerus e ele que decida o que fazer.
Ele
deu mais um passo na direção do Zoroark, o encarando com aqueles olhos gelados.
—
E vê se não chega muito perto dela.
Scarlet
engoliu em seco. Com essa ameaça final, o Kingdra voltou pra direção do posto
enquanto Milena mais uma vez suspirava alto.
—
Mais tarde eu converso com ele sobre isso — disse a Scarlet como se fosse
tranquilizá-lo. — Então você é jornalista, né?
—
Hã, sim... Eu sou de Unova e vim pra Sinnoh atrás de guerreiros. Perguntar o
que pensam e sentem sobre batalhar, o torneio de guildas e tudo mais... E desde
que cheguei aqui, muita gente me falou sobre vocês. Fire Tales, né?
—
Ah, então você veio ao lugar certo! — O sorriso de Milena se iluminou. — Eu sou
mais dos contests, mas o que não falta aqui são guerreiros dos mais diversos! E
conheço alguns que adorariam dar uma entrevista!
—
Ah, graças a Arceus! — Scarlet
literalmente levantou as mãos pro céu. — Faz
tanto tempo que eu tô procurando pelo menos uma guilda que não me bote
pra fora na base da porrada!
—
Você passou por poucas e boas, não é? Dá pra perceber... Você bem que precisava
de um banho — ela tirou uma folha dos longos cabelos pretos e vermelhos do
Zoroark. — E talvez até fazer uma visita à Casa de Cura. Eu adoraria poder
dizer que posso garantir isso pra você, mas o Aerus precisa te dar permissão
primeiro... Mas não se preocupa! Ele é muito compreensível, tenho certeza que
ele vai gostar de você!
Scarlet
ficou tão vermelho quanto seu nome quando a ficha caiu de quão imundo ele
estava após dias vagando e apanhando pelas terras de Sinnoh. Em comparação às
roupas impecáveis de Milena, realmente, ele parecia um vagabundo... Sem contar
os vários arranhões, queimaduras e hematomas pelo seu corpo.
—
Espero que você tenha razão, moça...
Quando
eles se aproximaram do portão de entrada, Scarlet esperou para ver se algum
sentinela o abriria para passarem. Como num passe de mágica, porém, o portão se
abriu sozinho. Ele fez uma nota mental: Como eles implementaram esse tipo de
tecnologia no meio do mato? Perguntaria na primeira oportunidade que tivesse. A
modernidade se tornou ainda mais estranha quando eles adentraram o pátio; uma
área aberta com estética medieval onde uma grande fogueira se mantinha apagada
no centro. Mas não por muito tempo, ao que tudo indicava, pois um Pachirisu,
uma Infernape e uma Espeon, essa última usando poderes psíquicos, iam trazendo
mais lenha pra ela. As fêmeas correram pra pegar mais madeira, mas o esquilinho
parou quando os viu.
—
Oi, Milena! Quem é seu amigo?
—
Esse é o Scarlet! — Ela colocou uma mão amigável em seu ombro. — Ele é um
jornalista!
—
S-Sim! — Ele se curvou de leve em cumprimento. — S-se vocês não se importarem,
iria me ajudar muito se pudessem me dar uma entrevistadinha rápida...
—
Aaah, o Aerus vai gostar demais de ouvir isso... Nem vai amaciar o ego dele,
imagina! — O Pokémon elétrico riu, revirando os olhos. — Bem vindo! Eu sou o
Watt!
Scarlet
quase suspirou de alívio quando Watt lhe ofereceu um aperto de mão, feliz de
ver de que desta vez ele não ia ser escorraçado ou apedrejado em praça pública.
O Zoroark limpou rapidamente seus dedos na sua roupa antes de devolver o
cumprimento.
—
Muito prazer...
—
Falando no nosso líder... Você sabe aonde ele tá? — Milena enrolou o dedo em
uma mecha do seus cabelos ruivos enquanto falava. — Queria levar o Scarlet pra
Sophie, mas não queria sem ter a permissão dele...
De
fato, falando em Aerus Draconeon... O otimismo que ele havia sentido quando foi
salvo por um triz diminuiu até desaparecer. Mesmo os Pokémon selvagens da área
não tendo tantas informações sobre o que acontecia dentro das quatro paredes da
guilda, o nome dele era o primeiro a ser citado, e com razão. Claro, vivendo em
Unova, distante de tudo e todos, não tinha como Scarlet saber disso, mas o Garchomp
era uma lenda. Um mito, um monstro, uma besta enjaulada, como você quiser
chamar. Por isso, ele engoliu em seco quando Watt apontou pro Salão Principal
da guilda. Ele e Milena pareciam legais, claro, mas... E se esse Draconeon
fosse que nem aquele Kingdra e já partisse pra agressão? Claro, ele não era
nenhum insetinho indefeso, Zoroark são mais do que capazes de se defender...
Mas que chance ele tinha contra uma lenda, contra um dragão?! Nenhuma! Talvez ele conseguiria correr rápido o bastante,
mas até isso era uma incógnita, com certeza devia ter pelo menos mais alguém
com mais velocidade que conseguiria alcançá-lo... Por isso, a caminhada até o
salão parecia o caminho até uma possível forca... O pensamento fez ele se
aproximar da Milotic, tentando se esconder atrás dela.
Bom,
pelo menos era um dia bonito pra morrer. O outono havia acabado de começar, mas
Sinnoh não queria nem saber: As folhas já estavam douradas e vermelhas,
deixando a área da guilda mais Fire
do que Tales. Pena que estava tão
frio, mais do que o norte de Unova costumava ficar naquela época do ano. No
meio da caminhada, Scarlet avistou algo interessante no horizonte: Uma mansão,
não tão medieval quanto as construções ao seu redor, mas mesmo assim antiga.
Não era tão distante, talvez uns dez, no máximo quinze minutos de caminhada. Se
ele saísse vivo, iria perguntar qual era a daquele lugar.
Antes
porém de entrarem no grande salão, as portas se abriram, revelando...
—
Aerus! — Acenou Milena.
Scarlet
ficou na ponta dos pés pra espiar por cima do ombro da Milotic, e... Franziu a
testa em confusão. Quando ele ouviu a palavra “dragão”, não era exatamente
o que ele tinha imaginado.
Claro,
não era como se ele não tivesse presença, porque ah, ele com certeza tinha.
Independente de tudo, ele ainda era uns trinta centímetros mais alto que
Scarlet, ainda parecia um armário de enorme e ainda era um Garchomp. Mas... O Zoroark esperava alguém, como... Um senhor de
meia idade, não um cara de óculos escuros que parecia ser, no máximo, uns dois ou três anos mais velho que ele.
—
Opa, e aí! Era contigo mesmo que eu queria falar...
Ele
se interrompeu quando percebeu Scarlet escondido por trás do cabelo de Milena.
Pra seu alívio, o líder da guilda parecia mais curioso do que surpreso.
—
Ih, salvasse mais um pobre condenado do Mikau?
—
I-Isso acontece com tanta frequência assim?! — A raposa murmurou pra si mesmo.
—
Uhum! Esse é o Scarlet, ele veio de Unova!
Tendo
dito isso, Milena deu um passo pro lado e lhe deu um empurrãozinho de leve nas
costas pra que ele pudesse se apresentar. Engolindo em seco, ele curvou a
cabeça como cumprimento.
—
Oi, é um prazer... Hã, eu sou um jornalista, e... Tô viajando por Sinnoh atrás
de guerreiros fortes dessas tais de guildas pra fazer umas perguntas sobre
batalhas...
Ele
ficou tentado a contar o verdadeiro propósito dessas entrevistas, mas talvez
eles fossem ficar menos receptivos caso descobrissem o que o resto da sua equipe
queria ganhar com elas.
—
E ele é mesmo! — Milena confirmou. — Até conseguiu a assinatura do Drinian e da
Primia.
—
Serião?! — Para o alívio de Scarlet, Aerus sorriu. — Não imaginei que alguém ia
conseguir fazer o Drinian conversar muito, hah!
—
É, ele é mais calado... Mas ele foi gente boa. A Primia também. Acho que foram
os únicos, na verdade... — Scarlet suspirou.
—
Ah, tu tentou ir atrás de mais guildas, foi?
—
Ô se tentei, e quase todas tentaram me trucidar! — Agora que ele sentia que não
ia morrer, imediatamente o Zoroark partiu pro desabafo. — Na Throne of Kings,
uma Rapidash me atropelou...
—
Ish, faz sentido, o Conde não tem paciência pra essas coisas...
—
...Na Pink Anarchy, depois de muito perturbarem meu juízo, levei um Egg Bomb e
um Flamethrower na cara...
—
Bem a cara delas também.
—
...Na Iron Fist, eu ainda tive sorte e o guildmaster só me mandou desaparecer...
—
Tu deu sorte mesmo, se o Fenrir pistolasse de vez, você tava na merda... Ow,
vamo fazer assim! Se são guerreiros que você tá atrás, tu tá no lugar certo e
acho que seria uma mudança de ares daora pra galera!
—
Também acho! Inclusive, eu tava pensando... O Beliel deu sinal de voltar? —
Indagou Milena, já empolgada. — Porque se não... O Scarlet podia ficar com o
dormitório dele!
—
Era uma boa, hein! Não vejo ele faz uns três meses, acho. Se ele fosse colar
por aqui, a Lyndis teria comentado alguma coisa, certeza.
—
Eles são mais ou menos do mesmo tamanho, então... Será que ele ia ficar
chateado se alguém usasse as roupas dele?
—
Olha, se eu vi ele usando as roupas que ele ganhou de presente duas vezes na
vida, foi muito, então acho que tá de boa!
Quê?! Scarlet
achou que eles iam mandar ele dormir em alguma árvore, ou no chão, ou num
calabouço, ou algo assim! Mas num dormitório?! De um membro ausente da guilda?!
Eles confiavam tanto assim nele? Ou... Confiavam tanto assim na própria força? Não que houvesse dúvida de
que eles iriam destruí-lo com facilidade caso ele aprontasse algo... Mas,
apesar da confusão, ele ainda se curvou mais uma vez em agradecimento, dessa
vez com a parte superior do corpo inteira. Uma cama de verdade o aguardava! Um
banho também! Talvez até um lanche!
—
M-Muito obrigado! De verdade!
—
De nada, maninho. Só não causa problema e tá tudo certo! E não entra no Salão
Principal todo sujo desse jeito, tem horas que o General parece uma dona de
casa com o chão desse lugar, hah hah hah!
Scarlet
seguiu pra direção que lhe foi indicada: A última casinha do lado esquerdo da
rua — já que o direito era o lado das mulheres — a área dos dormitórios, e,
assim que ele estivesse mais apresentável, era só fazer o caminho oposto e
entrar no recinto maior no começo da rua pra falar com a healer da guilda: Sophie, a Gardevoir. Por sorte, o caminho até lá
foi tranquilo e ele não esbarrou com praticamente ninguém...
Bom,
em teoria. Na prática, tiveram duas vezes que ele sentiu um par de olhos nele,
mas quando se virou, não encontrou ninguém. Ele poderia parar pra investigar?
Poderia. Ia achar alguém? Provavelmente sim. Ele queria achar esse alguém? Nem
ferrando. Então ele só correu pra última casa e fechou a porta atrás de si.
Seja lá a quem pertencia esse olhar, não o seguiu, para o seu alívio.
E,
olha, pra um dormitório, aquilo era chique demais! Claro, não era super grande, mas era praticamente uma
casinha completa, com cama, cozinha e banheiro. Cada um dos membros da Fire
Tales tinha uma casa assim pra si, ou aquilo era exclusivo desse tal de Beliel?
E, realmente, ela parecia não ser frequentada há meses, mal estava decorada e se
encontrava ainda um pouco empoeirada, o suficiente pra lhe fazer espirrar
quando abrira a porta. Mas era beeeem
melhor do que dormir no mato, então simplesmente aceitou de bom grado, sorrindo
pra si.
Depois
de um longo banho e uma luta mais longa ainda contra seu cabelo que teve de
pentear com os dedos, Scarlet percebeu rápido enquanto fuçava a cômoda que seja
lá quem fosse esse tal de Beliel, ele não era muito fã de vestir camisas.
As
botas de cano alto ele dispensou, preferindo ficar descalço mesmo já que suas
sandálias de madeira estavam bem ferradas nessa altura do campeonato. A calça
preta meio folgada era muito boa, bem no estilo que ele gostava. Agora pra
parte de cima? Ele só tinha casacos todos abertos no peito! Era outono, como que ele ia vestir isso sem congelar?! Mas pra sua sorte, por algum
motivo, havia várias tiras brancas de tecido dentro da última gaveta, então ele
conseguiu improvisar uma amarra num sobretudo preto como se fosse um roupão.
Pronto, agora ele não estava tão exposto.
Exposto
mesmo estava um bilhete que ele achou no bolso do sobretudo quando foi colocar
seu caderno e sua caneta ali. O papelzinho amarelo dizia nada além de “Lyndis” com uma carinha feliz
desenhada. Aerus havia mencionado esse nome... Talvez ela fosse a namorada do
dono do dormitório? Scarlet torceu pra que ela não se importasse que ele estivesse
usando as roupas de Beliel e cuidadosamente colocou o recado em cima da cômoda
antes de sair.
O
caminho até a Casa de Cura também foi sossegado, e graças a Arceus ele não
sentia mais que alguém o observava. Mesmo assim, ele andou mais rápido do que o
normal só por precaução. A porta do lugar estava aberta, mas ele bateu nela
assim mesmo enquanto colocava a cabeça pra dentro.
—
Olá? — Ele chamou, timidamente.
Scarlet
até pensou estar no lugar errado, pois aquilo parecia bem mais um bar do que
uma enfermaria. Mas a Gardevoir que ele procurava estava atrás do balcão, e
sentada numa mesa redonda de madeira logo ao lado, estava uma Porygon-Z de
cabelo curtinho. Ele corou quando ambas se viraram pra encará-lo, curiosas.
Mais uma vez, ele curvou a cabeça em sinal de respeito.
—
Boa tarde, hã... Desculpa interromper vocês, mas... Sou visitante aqui da
guilda e me falaram pra vir atrás da Sophie?
—
Sou eu — disse a moça de cabelos verdes com um sorriso gentil. — Pode entrar,
não fique parado aí fora!
—
Nossa, faz tempo que a gente não tem visita! — Os olhos da Porygon-Z se
iluminaram, literalmente, num tom de amarelo. — Bem vindo!
Ele
se sentou na cadeira ao lado da ruiva, entrelaçando os dedos em nervosismo.
Tudo isso era incomum pra ele. Entre seus companheiros, ele era sempre
empolgado e extrovertido, mas naquele lugar estranho... Nem de longe.
—
Eu sou a Wiki, lindo! Qual seu nome?
—
Scarlet! Eu, hã, sou um jornalista, na verdade. Vim de Unova, e tô viajando por
Sinnoh pra entrevistar membros de guildas poderosas... E o guildmaster de vocês foi gentil o bastante pra me deixar ficar por
aqui por enquanto e fazer perguntas pra quem tiver disposto a respondê-las.
—
Ooooh, a gente tá famoso, hein! — Ela se empolgou. — Quer começar comigo,
lindinho? Não posso falar por todo mundo, mas eu tô super disposta a ser
entrevistada!
—
Ah, me ajudaria muito! — Ele deu um sorriso aliviado. — Obrigado. Mas, hã, me
pediram pra vir aqui porque...
—
Você teve uns dias difíceis, não teve? — Sophie completou o que ele estava
prestes a dizer, já escaneando seus machucados com aqueles olhos vermelhos.
—
É... Digamos que nem todo mundo foi tão gente boa quanto vocês... E, bom, um
dos seus colegas meio que... Me pegou de jeito.
Ele
fez o gesto de pegar o próprio pescoço. Sophie revirou os olhos na hora.
—
Foi o Mikau, não foi?
—
Sim, senhora.
—
Percebi... — A Pokémon psíquica disse enquanto saia de trás do balcão. — E, ei,
nada de me chamar de senhora, viu? Não sou tão velha assim! Só Sophie já está
ótimo.
—
Afe, ele vai estragar nossa reputação se ele continuar fazendo isso toda vez
que alguém vier visitar! — Wiki reclamou.
Sophie
aproximou-se dele silenciosamente, pedindo permissão pra examiná-lo. Ele fez
que sim com a cabeça tentando fingir que médicos não o deixavam um pouco
nervoso. Scarlet limpou a garganta e encarou Wiki:
—
Se... Se você estiver com tempo livre agora, eu posso já ir anotando suas
respostas... Não preciso dos braços livres...
E
pra provar seu ponto, ele usou seu poder de ilusão pra criar uma cópia falsa do
seu caderno e caneta que flutuavam no ar. Assim que ele estivesse com ambas as
mãos livres, poderia só ler o que havia sido escrito no caderno ilusório e
passar pro de verdade. Tanto Wiki quanto Sophie arregalaram um pouco os olhos.
—
Uh, você consegue criar objetos do nada? — Indagou a ruiva.
—
É uma ilusão, na verdade. Só uso pra facilitar meu trabalho. Mas, enfim, agora
isso não é importante. Podemos começar?
Scarlet
quase pulou da cadeira quando Wiki apoiou não só os cotovelos na mesa, mas
também o busto, se aproximando dele um pouco mais do que era necessário pra uma
entrevista.
—
Pode perguntar o que quiser, querido, não vou esconder nadinha! O que quer
saber? Minha altura, tipo sanguíneo, signo, troféus de concursos de
popularidade... Minhas medidas... ♥
—
N-Não, não precisa passar suas medidas!
—
Ai, que cavalheiro! A maioria dos homens mataria por essa informação
privilegiada, sabia?
Ao
seu lado, o Zoroark ouviu Sophie dar uma risadinha leve enquanto ela examinava
um hematoma feioso no seu antebraço causado pela Rapidash da Throne of Kings
alguns dias atrás.
—
Você consegue mexer esse braço, certo?
—
Sim, senho-- Sophie. — Ele o dobrou pra provar a afirmação.
—
Ótimo. Pena que agora é um pouco tarde pro gelo... Ah, mas falando nisso!
Levanta a cabeça pra mim?
Ele
obedeceu, quase conseguindo sentir a pressão dos dedos de Mikau na sua
garganta. Será que já estava roxo? A Gardevoir avaliou com cuidado.
—
Hmmm... Olha, quando eu ouvi que o Mikau tinha te pegado, eu achei que estaria
pior! Você deu sorte. Aqui sim ainda dá tempo de colocar gelo!
—
A-Ainda bem... Enfim. — Ele aproveitou que Sophie foi atrás de um pano limpo
pra continuar. — Seu nome é Wiki, certo? Porygon-Z?
—
Isso mesmo! — A ruiva fez que sim com a cabeça, e parou pra pensar um pouco. —
Na verdade, não só Wiki... Mas, sim, hoje sou só eu!
—
Hã... Ok? Não sei se entendi, mas... Você tem alguma função oficial dentro da
guilda? E em batalha?
—
Programadora e hacker fora das lutas, e nelas... Acho que sou o que você
chamaria de special sweeper.
A
caneta ilusória que pairava no ar anotou as palavras da moça numa velocidade
impressionante, fazendo um barulho veloz ao escrever no papel.
—
Pode descrever um pouco da sua vida antes de se juntar aos Fire Tales?
—
Eu poderia... Se eu tivesse uma, haha! Eu estava à venda em Veilstone antes de
ter sido dada como presente à guilda e ficava desligada o tempo todo!
—
Aaaah... Então suas primeiras memórias foram aqui?
—
Exatamente!
Enquanto
sua resposta estava sendo registrada, Sophie retornou, e encostou de leve no
queixo de Scarlet pra que ele mostrasse o pescoço novamente. A raposa deu um
sibilo de desconforto quando o gelo encostou no machucado recente, mesmo
estando fazendo contato direto com um pano ao invés da sua pele. Mesmo assim,
ele segurou os cubos de gelo no lugar e tentou ignorar a leve puxada que Sophie
deu na gola da sua roupa pra examinar uma queimadura, também quase totalmente
sarada, comprida na sua clavícula.
—
E essa aqui? Veio de onde?
—
Líder da Pink Anarchy... Flamethrower.
—
Mentiraaaa! — Wiki abriu a boca em
choque. — Aquela piranha tá soltando fogo agora, é?! Eu achei que ela ia achar tudo ser entrevistada...
—
Ela até que gostou da ideia no começo, mas... — Scarlet coçou a parte de trás
da cabeça com a mão livre. — Eu fui meio grosso na hora de rejeitar um flerte
dela, e acabou que a situação esquentou.
—
É bem a cara dela mesmo... Mas não se preocupa não, fofinho, eu escrevo uma
carta pra ela e garanto essa pra você, tá?
—
Agradeço muito! — Ele curvou a cabeça o máximo que o gelo lhe permitia enquanto
Sophie deu a volta pra avaliar o outro lado do seu corpo. — Voltando pro
assunto... Você já se machucou seriamente em batalhas?
—
Ih, várias vezes! — Wiki riu. — Já tive meu coração arrancado do peito!
Literalmente!
Ela
se corrigiu após ver os olhos arregalados de seu entrevistador:
—
Quer dizer, não literalmente, eu não
tenho um coração feito de carne! Mas tá vendo isso aqui? — Ela apontou pra um
objeto dourado logo acima de seus seios que, de longe, parecia parte de sua
roupa. — É meu fluxo de energia. E, bom, um dia...
Scarlet
acompanhou a mão dela com o olhar quando ela fez o gesto de arrancar seu
próprio coração com direito a um efeito sonoro, sorrindo como se isso fosse
mais uma terça-feira.
—
Ah, e dei uma trincada nos meus olhos também nessa mesma batalha... Doeu pra
cacete. Mas tá tudo certo, meu Mecha-boy
me consertou!
Scarlet
quase perguntou o que ela quis dizer com “trincada”, mas agora que ele havia
parado pra prestar atenção, a iluminação do bar batia nas orbes douradas da
Porygon-Z de forma anormal, como uma mesa de vidro refletindo a luz de uma
lâmpada. Uma curiosidade mórbida atravessou sua mente. Será que seu corpo era
feito de plástico também? Quando ela havia colocado a mão em seu ombro mais
cedo, ele só havia sentido o tecido confortável de seu bodysuit. A única parte da sua pele exposta era do pescoço pra
cima...
—
Ai, se você ficar me encarando desse jeito, vou ficar empolgada, viu?! ♥
—
N-Não é isso!
—
Falando em machucados... — Interrompeu Sophie, rindo de leve de novo. — A maior
parte dos seus já está cicatrizando, então o que eu posso fazer por você é
colocar umas bandagens pra dar uma proteção extra... E pra não cair em tentação
de sair puxando a pelezinha por cima das queimaduras.
—
Não, não, não precisa... Vocês já foram gentis demais comigo, não precisam
gastar mais recursos por minha causa.
—
Tudo bem, você que manda... Mas! Você precisa ter um lanchinho, e
pra isso, eu não aceito um “não” como resposta!
A
expressão do Zoroark se iluminou de imediato e ele não conseguiu conter um
sorriso enorme. Lanche! Comida de verdade! Nada de berryzinhas,
cascas de árvore ou presas magrinhas! Scarlet fez que sim com a cabeça com mais
entusiasmo do que deveria.
— Sim,
por favor!
As
duas mulheres riram do entusiasmo súbito de Scarlet, e quando Sophie saiu pra
cozinha, ele teve que piscar algumas vezes pra voltar a se concentrar no
trabalho.
— E-enfim,
voltando... Você guarda algum ressentimento da vida que leva? Gostaria de ter
tido a chance de experimentar uma vida diferente além das batalhas?
A
resposta dela o surpreendeu:
— Ter
tido? — O sorriso levado não saia dos lábios dela de jeito nenhum. — Quem
disse que eu ainda não tenho essa chance?
—
Hã... Poderia elaborar sua resposta? — Até a caneta ilusória hesitou.
—
Scarlet, eu sou uma mulher livre. Eu posso ir pra qualquer lugar no mundo e
fazer o que eu quero, quando eu quero! Nada, nem ninguém na Fire Tales, tirou
minha liberdade. Se eu volto pra cá... É porque é o que eu desejo.
O
Zoroark ponderou por alguns segundos, tamborilando os dedos da mão livre na
mesa. O gelo parecia queimar menos seu pescoço.
—
Ah... Compreendo. Então você não se sente presa a essa vida?
—
Nem um pouco! Sem arrependimentos!
—
Ok... Como uma criatura cibernética, você sente que já foi tratada com deboche
ou desdém?
—
Aqui dentro da guilda, jamais! Mas fora dela... Algumas vezes. Tem gente que
parece que esquece que eu sou um ser vivo... — Ela deu uma piscadinha. — Mas
prometo que quem tem a ousadia de me destratar não fica muito tempo em pé pra
contar a história!
Ele
teve que rir um pouco da resposta. Uma pergunta era uma pergunta e não era
assim que preconceitos funcionavam, mas Scarlet não conseguia imaginar como
alguém poderia esquecer que a mulher que estava a sua frente era viva quando
ela exalava energia mais do que muitos Pokémon orgânicos que ele conhecia.
—
Você tem, ou já teve, vontade de viver uma vida mais tranquila?
—
Ai, não, honestamente isso não é pra mim! — Ela fez biquinho. — Não nasci pra
ficar em casa, lendo livros, sentando numa cadeira de balanço que nem uma
senhora e vendo o tempo passar! Não sei como a Glaci ou a Milady aguentam essa
vida parada... Meu corpo precisa de adrenalina!
— Você diria que esse é o motivo de você
participar de batalhas entre guildas, então? Adrenalina?
—
Com certeza! Fora ou dentro da Fire Tales, eu sou quem eu sou, e gosto de
fortes emoções!
—
Você teria interesse em ser um Pokémon selvagem em algum momento?
—
Eca, não! Também não nasci pra vida no mato, eu preciso dos meus brinquedinhos!
—
Entendi. — Mais uma vez, ele riu. — Obrigado pelo seu tempo! Acho que com você,
por hoje é só.
—
Awww, mas já?! — Wiki se debruçou ainda mais na mesa de madeira. — Foi tão
rapidinho! Mas você não vai embora agora, vai? Nem conheceu o Mozilla ainda!
—
Enquanto os membros da sua guilda tiverem dispostos a me receber e responder
minhas perguntas... Eu fico. — Scarlet sorriu de volta.
—
Perfeito! — A alegria voltou ao rosto da ruiva. — A gente bem que precisa de
uma visita pra agitar as coisas!
—
Vocês realmente precisam de mais
agitação? — Ele suspirou.
Antes
que Wiki pudesse responder, Sophie voltou ao recinto, e Scarlet quase pulou da
cadeira ao sentir o cheiro que vinha do prato que ela carregava. O que eram
aquelas coisinhas coloridas?! Pães?! Biscoitos?! Muffins?! Sanduíches?! Ele
nunca tinha visto nada parecido! A empolgação era tanta que a caneta que
flutuava no ar até desenhou numa outra folha o formato desse estranho lanche.
—
O jantar de fato ainda não está pronto, mas consegui arranjar algo pra você
beliscar enquanto espera! — Ela colocou o prato na mesa.
—
O que é isso?!
—
Poffins! Especialidade local! Cada cor é um sabor: Os verdes são amargos,
vermelhos são picantes, azuis são secos e rosas são doces e amarelos são
azedos.
Scarlet
de imediato enfiou dois Poffins esverdeados na boca, quase derretendo de
alegria ao sentir o sabor de Aguav Berry e o calor confortante do produto
recém-saído do forno. Como ele havia pensado, parecia um pão. Wiki pegou um
azul, por sua vez, e conseguiu convencer Sophie a pegar um dos verdes que
Scarlet estava engolindo. Depois, ele começou a pegar um de cada, até mesmo o
mais doce, que normalmente era o seu sabor menos favorito. Depois que tudo isso
estivesse concluído, ele precisava procurar esses tais Poffins em Unova.
Assim
que seu estômago encheu um pouco mais e ele se sentiu bem menos letárgico e
quieto do que de costume nos últimos dias vagando por Sinnoh, ele se lembrou de
algo importante:
—
Ah, sim! Sophie, você se importaria se eu lhe fizesse algumas perguntas também?
Vai ser rápido.
Ela
parou no meio do caminho, seu sorriso vacilando por alguns segundos antes dela
responder, levemente sem graça:
—
Eu posso, mas não sei se sou a mais interessante pra isso... Você disse que
procurava guerreiros, não? Estou um pouco distante disso... Acho que minhas
respostas seriam sem graça...
—
Ah, que isso, gata. Você com certeza tem muita história pra contar! —
Incentivou Wiki.
—
Talvez mais tarde. — Ela riu. — Mas, se me permite, Scarlet, tenho uma sugestão
pra você enquanto espera o jantar ficar pronto.
—
Hm? — Ele arregalou de leve os olhos.
—
Acho que uma reunião do clube do livro ainda está acontecendo lá na
biblioteca... Se você correr, consegue pegar o Chaud, a Glaci e a Eva ainda por
lá.
Três
numa cajadada só?! Perfeito! Scarlet fez que sim com a cabeça, se levantando
com energia renovada.
—
Que ótimo, muito obrigado! Foi um prazer conhecer vocês!
—
Volta pra entrevistar a Sophie, hein? Não cai nesse papo dela de ser sem graça
não! — Insistiu Wiki. — E vê se volta pra conversar comigo, lindo! ♥
—
Pode deixar! — A raposa deu uma risada, acenando enquanto saia pela porta. — A
gente se vê no jantar!
E assim, ele saiu sob o pôr-do-sol que tomava conta da guilda sem nem se lembrar de perguntar para qual lado ficava a biblioteca...


















